
Mais de 158,7 milhões de eleitores brasileiros estão aptos a retornarem às urnas neste domingo (26) para escolher o presidente da República que governará o país entre 2027 e 2030. Disputado entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), o segundo turno consolida a polarização política nacional entre a continuidade do projeto social da esquerda e o retorno da direita ao Poder Executivo.
Além da escolha para o Palácio do Planalto, eleitores de cinco estados e do Distrito Federal votam para definir os governadores em segundo turno. As seções eleitorais ficam abertas das 8h às 17h, seguindo de forma unificada o horário oficial de Brasília. Para votar, é necessário apresentar documento oficial com foto ou o aplicativo e-Título, com foto cadastrada.
Polarização Análises de cientistas políticos apontam que a disputa presidencial chega à etapa final marcada por votos calcificados e margem de vitória projetada em patamares mínimos. O cientista político Adriano Oliveira, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), caracteriza o pleito atual como uma “eleição do medo”, na qual a rejeição mútua desempenhou papel central nas estratégias de propaganda.
“Essa é a ‘eleição do medo’ e sairá vitorioso quem conseguir ter menos rejeição. As duas campanhas são muito bem feitas; as narrativas estão muito bem construídas. Todavia, nenhum conseguiu aumentar a rejeição do outro. Isso mostra como está fortalecida a polarização, como o voto está calcificado e como essa eleição vai ser acirradíssima”, avalia Adriano Oliveira.
O avanço da direita no Poder Legislativo e em governos estaduais no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, também reconfigurou o cenário político nacional. Segundo o cientista político José Henrique Artigas, professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o resultado da primeira etapa demonstrou a força eleitoral do PL nas bancadas federais e regionais.
“Houve uma verdadeira avalanche de votos atribuídos à extrema-direita, particularmente ao PL de Flávio Bolsonaro. Essa eleição coloca o PL como partido mais forte do Brasil, que conquistou o maior número de parlamentares e de governos estaduais. Flávio Bolsonaro conseguiu vencer em estados onde, em 2022, Lula havia garantido a vitória”, observa José Henrique Artigas.
Rejeição, investigações e temas sociais Na etapa decisiva do segundo turno, a campanha de Lula buscou mobilizar bases sociais em torno de pautas trabalhistas e de direitos, como o debate sobre o fim da jornada 6×1, a regulamentação dos trabalhadores de aplicativo e a valorização do salário mínimo, além de ressaltar a estabilidade econômica e a defesa das instituições democráticas.
Por outro lado, a candidatura de Flávio Bolsonaro enfrentou impactos decorrentes do desgaste com investigações policiais e denúncias veiculadas na imprensa sobre transações financeiras e conexões com empresários investigados, como o caso Vorcaro/Dark Horse.
O sociólogo e cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), destaca o peso desse contexto na oscilação dos índices de rejeição: “O aumento da rejeição de Flávio se dá pela quantidade gigantesca de denúncias. Alguns analistas apostam que, se existir a chance de o segundo colocado ultrapassar o primeiro, a eleição é essa. Pesa contra Flávio o fato de ele estar no olho do furacão”.
Para o cientista político Rafael Cortez, a conjuntura reafirma a centralidade da divisão entre lulismo e bolsonarismo na organização da política brasileira. “A eleição ainda reflete uma política marcada pela dicotomia e pela polarização. Quem organiza a política nacional é o PT por um lado e o bolsonarismo por outro”, diz.
Mapa das disputas estaduais
Enquanto 20 unidades da federação já definiram seus governadores no primeiro turno, a disputa pelo Poder Executivo estadual segue aberta em cinco estados e no Distrito Federal:
Acre: Mailza Assis (Progressistas) x Alan Rick (Republicanos)
Amazonas: Omar Aziz (PSD) x Professora Maria do Carmo (PL)
Distrito Federal: Celina Leão (Progressistas) x Leandro Grass (PT)
Espírito Santo: Lorenzo Pazolini (Republicanos) x Ricardo Ferraço (MDB)
Rio Grande do Norte: Allyson (União) x Cadu de Lula (PT)
Tocantins: Professora Dorinha (União) x Vicentinho Júnior (PSDB)
Com informações do Brasil de Fato




