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Catadoras de mangaba lutam para preservar tradição ameaçada pela expansão urbana em Sergipe

Comunidade de Aracaju busca proteger território extrativista, garantir o sustento de dezenas de famílias e manter viva uma tradição reconhecida como patrimônio cultural do estado.

Há 89 dias — Por Repórter Tamandaré

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Foto: Redes sociais

A expansão urbana e a especulação imobiliária têm colocado em risco uma das principais atividades extrativistas de Sergipe: a coleta da mangaba. Em Aracaju, catadoras do fruto resistem à redução das áreas de mangabeiras e defendem a preservação do território que garante o sustento de dezenas de famílias e mantém viva uma tradição passada de geração em geração.

Organizadas na Associação das Catadoras e Catadores de Mangaba Padre Luiz Lemper, as extrativistas atuam na preservação dos conhecimentos tradicionais, no beneficiamento da fruta e na defesa do território. Em 2025, a entidade foi reconhecida pelo Ministério do Meio Ambiente com o Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade, recursos que foram investidos em oficinas, estudos e projetos voltados ao fortalecimento da atividade e do turismo de base comunitária.

As famílias também elaboraram um Plano de Manejo Popular para a Reserva Extrativista Mangabeiras Missionário Uilson de Sá, documento que busca orientar a conservação da área e garantir a participação da comunidade nas decisões sobre o futuro do território. Segundo as lideranças, a iniciativa surgiu diante da preocupação com possíveis mudanças que possam comprometer a finalidade da reserva.

Além de representar uma importante fonte de renda, a mangaba é considerada patrimônio cultural de Sergipe e desempenha papel relevante na conservação ambiental. No entanto, especialistas alertam que a redução das áreas de mangabeiras provocada pelo crescimento urbano contribuiu para a queda da produção extrativista no estado, que deixou de ocupar a liderança nacional na produção do fruto.

Entre as propostas defendidas pela comunidade estão a construção da Casa da Mangaba, destinada ao processamento e comercialização dos derivados da fruta, a ampliação do turismo comunitário e a inclusão da produção em programas públicos de compra de alimentos. A Prefeitura de Aracaju informou que apoia a implantação da unidade de beneficiamento, mantém ações de fiscalização na reserva e afirma respeitar a autonomia das catadoras na gestão do território.

Com informações da Agência Brasil.


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