
Levantamento do portal Marco Zero Conteúdo identificou diferenças na distribuição de recursos públicos destinados às atrações do Carnaval de Olinda de 2025. De acordo com os dados, dez agremiações tradicionais de frevo receberam juntas menos de R$ 500 mil em cachês, enquanto a gestão municipal empenhou quase R$ 3 milhões para cerca de 30 artistas e bandas de pequeno porte, sem histórico consolidado na cena cultural pernambucana.
A análise de 407 contratos disponíveis no Portal da Transparência do município e na ferramenta Tome Conta, do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, apontou a recorrência de contratações com cachês elevados. Os valores variaram majoritariamente em torno de R$ 50 mil, podendo chegar a R$ 70 mil, para apresentações em polos descentralizados e blocos da periferia. Parte desses eventos possui vínculo com lideranças políticas locais.
O levantamento também identificou relações de parentesco entre responsáveis por produtoras que concentraram parte expressiva dos contratos. Quatro dessas empresas estão registradas no mesmo endereço, no município de Igarassu. Entre os grupos contratados está a banda Forró Arreda e Dance, que realizou cinco apresentações no Carnaval, totalizando R$ 250 mil em recursos públicos.
Outro ponto observado foi que termos de autorização das contratações foram assinados pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia, embora o orçamento da pasta não mencione despesas específicas com o Carnaval. O orçamento total da festa, estimado em R$ 13,6 milhões, está concentrado na Secretaria de Patrimônio, Cultura e Turismo, conforme a lei orçamentária de 2025.
Em nota, a Prefeitura de Olinda informou que todas as contratações seguiram critérios legais, técnicos e transparentes, por meio de convocatória pública. A gestão afirmou que os valores correspondem ao custo global das apresentações e anunciou a intenção de realizar um seminário com representantes das agremiações para discutir e reavaliar os parâmetros de cachês.



