
O júri popular que julga dois dos cinco acusados pelo assassinato da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico começou nesta terça-feira no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. O filho da vítima, Jurandir Pacífico, acompanha o julgamento e afirma esperar a aplicação da pena máxima. Bernadete, conhecida como Mãe Bernadete, foi morta em agosto de 2023, aos 72 anos, após atuação em defesa de direitos humanos e de comunidades tradicionais.
O julgamento analisa a responsabilidade de Arielson da Conceição Santos, réu confesso e apontado como um dos executores, e de Marílio dos Santos, acusado de ser o mandante e que está foragido. Ambos respondem por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e uso de arma de uso restrito. Arielson também responde por roubo. A previsão é de que o julgamento seja concluído na quarta-feira.
Segundo as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público da Bahia, a líder foi assassinada dentro de casa, na comunidade quilombola de Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, com 25 disparos. A apuração aponta que o crime teria relação com o posicionamento de Bernadete contra a expansão do tráfico de drogas na região. No momento da execução, três netos da vítima estavam na residência e foram mantidos isolados pelos criminosos.
A acusação, representada pelo advogado Hédio Silva Jr., afirma que as provas reunidas são consistentes e defende a condenação com pena máxima, que pode ultrapassar 35 anos de prisão. O caso ocorre em um contexto de violência contra lideranças quilombolas. Dados da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos indicam que 46 lideranças foram assassinadas no país entre 2019 e julho de 2024.
Com informações da Agência Brasil




