
No centenário de nascimento de Milton Santos, celebrado neste 3 de maio, o pensamento do geógrafo baiano volta ao centro dos debates sobre desigualdade, urbanização e exclusão social. Considerado um dos maiores intelectuais brasileiros, Milton desenvolveu teorias que seguem atuais para compreender desde grandes redes econômicas até a realidade de pequenos comércios populares nas periferias.
Entre suas principais contribuições está a teoria dos dois circuitos da economia urbana, formulada na década de 1970, que divide as cidades entre o circuito superior, ligado a grandes empresas e alta concentração de capital, e o circuito inferior, formado por pequenos negócios e serviços adaptados à sobrevivência da população de baixa renda. Em cidades como São Luís, no Maranhão, essa dinâmica aparece no contraste entre supermercados e mercadinhos periféricos, onde o consumo se ajusta ao poder de compra da população.
Milton Santos também revolucionou a compreensão do território ao defender que desigualdades de infraestrutura, transporte, saneamento e acesso à tecnologia não são acidentais, mas resultado de decisões políticas e econômicas que privilegiam determinados grupos sociais. Sua obra “Por uma Outra Globalização” reforçou a crítica a um modelo global que amplia concentração de riqueza enquanto marginaliza comunidades locais.
Primeiro intelectual negro brasileiro a alcançar projeção global na geografia, Milton enfrentou racismo estrutural e construiu uma trajetória que se tornou referência acadêmica e social. Cem anos após seu nascimento, universidades e instituições no Brasil e no exterior promovem seminários, debates e eventos que reafirmam a força de suas ideias para pensar periferias, exclusão e futuros mais justos.




