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Além das Ilusões: A Realidade Crua e o Desfecho Polêmico de Euphoria

A série Euphoria, criação aclamada e controversa de Sam Levinson, sempre se diferenciou por sua estética hipnótica e narrativa visceral. No entanto, sua temporada final não buscou o conforto da catarse tradicional. Ao contrário, a obra propôs um exercício difícil: remover as ilusões. O objetivo central foi desconstruir a ideia de que curtidas, dinheiro, fama ou mesmo as drogas oferecem uma fuga real para as angústias da vida moderna.

Agora — Por Robson Júnior

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Foto: Reprodução redes sociais

A lógica do fim: por que não houve um final feliz?

O desfecho da série dividiu a audiência e gerou debates intensos na internet. Por trás das decisões narrativas de Sam Levinson existe uma lógica fria e, para muitos, difícil de aceitar. Em entrevistas, o criador enfatizou a necessidade de honestidade ao abordar o tema do vício:

“Você não pode contar uma história sobre vício hoje sem mostrar as consequências reais. A maioria das pessoas não ganha uma segunda chance.”

Essa perspectiva moldou o destino trágico de Rue, protagonista interpretada por Zendaya. Sua morte por overdose, causada por um comprimido contaminado com fentanil, uma droga sintética extremamente potente e letal, não foi um capricho de roteiro, mas uma conclusão forçada pela realidade que a série se propôs a retratar. É também uma homenagem sensível ao ator Angus Cloud, que interpretava Fezco e faleceu precocemente em 2023, aos 25 anos, vítima da mesma crise de saúde pública.

“O final honesto é que pessoas como a Rue não conseguem se salvar.” Sam Levinson

O destino das outras personagens

A desconstrução não se limitou a Rue. Outras personagens também enfrentaram realidades duras que reforçam a tese central da série sobre a inexistência de uma “saída fácil”.

Maddy: Embora tenha conseguido superar suas dívidas e conquistar certa independência, sua vitória se revela amarga. Ela transita de um problema para um ambiente em que a lógica das relações por interesse, trocando afeto por dinheiro e segurança, é a norma, mantendo-a presa ao ciclo crítico que a série aponta.

Jules: Ao buscar uma suposta liberdade, Jules acaba isolada, tornando-se sugar baby e passando a temporada trancada em um luxuoso apartamento. Sua “fuga” transforma-se em uma “prisão silenciosa”, uma metáfora clara para a ilusão de controle e liberdade que a série combate.

Cassie: Em busca de validação, ela cria um perfil no OnlyFans. Levinson explica:

“A Cassie só quer ser amada. Você é o produto, você é a marca. Tudo gira em torno da validação externa.”

No fim, ela aparece chorando sozinha, provando que a busca por aprovação externa não foi capaz de preencher seu vazio interior.

Conclusão: a arte como espelho

Se a morte de Rue foi um erro de roteiro ou uma consequência lógica do caminho que ela trilhou é algo que fica a critério de cada espectador. O fato é que Euphoria se recusou a entregar um fechamento bonito ou uma redenção fácil.

A série encerra sua jornada com uma mensagem difícil, mas necessária: o vício, na atual conjuntura, raramente oferece segundas chances, e não existem soluções mágicas para realidades complexas. Levinson força o público a encarar um reflexo que, muitas vezes, preferiria ignorar.

Por Robson Júnior

Produtor audiovisual | Comunicador | Crítico de cinema

SILVA JÚNIOR, R. M.

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