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Autoridades condenam ataque israelense a ajuda humanitária em Gaza

O presidente dos Estados Unidos, principal aliado político e militar de Israel, se somou ao coro de críticas contra o ataque na noite desta terça (2)

Há 49 dias — Por Portal Tamandaré Web

O ataque israelense que provocou a morte de sete trabalhadores da ONG de ajuda humanitária World Central Kitchen (WCK), na terça-feira (2), provocou forte reação internacional e aumentou o isolamento do governo de Benjamin Netanyahu, que também enfrenta protestos nas ruas de Jerusalém, capital de Israel. Além de cidadãos palestinos, o ataque também vitimou trabalhadores humanitários dos EUA, Canadá, Polônia, Reino Unido e Austrália.
Funcionários da ONU inspecionam a carcaça de um carro da World Central Kitchen que foi atingido por um ataque israelense em Gaza — Foto: AFP

O ataque israelense que provocou a morte de sete trabalhadores da ONG de ajuda humanitária World Central Kitchen (WCK), na terça-feira (2), provocou forte reação internacional e aumentou o isolamento do governo de Benjamin Netanyahu, que também enfrenta protestos nas ruas de Jerusalém, capital de Israel. Além de cidadãos palestinos, o ataque também vitimou trabalhadores humanitários dos EUA, Canadá, Polônia, Reino Unido e Austrália.

O comando do Exército de Israel classificou o bombardeio contra um comboio de trabalhadores humanitários como um "erro grave", nesta quarta-feira (3), depois de Netanyahu afirmar na terça-feira, que esse tipo de situação "acontece em guerras". Segundo o comunicado do exército israelense, o ataque teria acontecido por "erro de identificação" dos veículos de ajuda humanitária.

Em resposta à afirmação do chefe do Estado Maior do Exército, Herzi Halevi, de que o ataque não teve "intenção de atingir os trabalhadores humanitários", o fundador da WCK, José Andrés, aponta que "não foi um erro infeliz", mas "resultado direto da política de reduzir a ajuda humanitária a níveis desesperadores."

A WCK suspendeu atividades na região após o ataque. Cerca de 240 toneladas de ajuda não entregue nos seus navios ao largo da costa de Gaza serão devolvidas a Chipre, disse um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros desse país à Associated Press.

Uma investigação da Al Jazeera aponta que os ataques dos militares israelenses foram intencionais. Com base em informações de código aberto, depoimentos de testemunhas e imagens do local, a agência construiu uma linha do tempo dos eventos.

"Imagens tiradas dos locais de bombardeio mostram que os veículos estavam claramente marcados em seus tetos e para-brisas como sendo da WCK, indicando que estavam em conformidade e que houve coordenação prévia entre a WCK e o exército israelense sobre os movimentos. A análise das imagens do segundo e terceiro veículos alvejados mostrou sinais de um projétil entrando por cima e saindo por baixo, sugerindo que os carros foram alvejados do ar.", afirma a publicação da Al Jazeera.

Críticas - O presidente dos Estados Unidos, principal aliado político e militar de Israel, se somou ao coro de críticas contra o ataque na noite desta terça (2). Em comunicado, Joe Biden se disse "indignado e com o coração partido" e afirmou que Israel não está fazendo o suficiente para proteger os trabalhadores humanitários e os civis e classificou o conflito como "um dos piores da memória recente em termos de quantos trabalhadores humanitários foram mortos".

"Esta é uma das principais razões pelas quais a distribuição de ajuda humanitária em Gaza tem sido tão difícil, porque Israel não faz o suficiente para proteger os trabalhadores humanitários que tentam entregar a ajuda desesperadamente necessária aos civis. Incidentes como o de ontem simplesmente não deveriam acontecer. Israel também não fez o suficiente para proteger os civis.”

O Papa Francisco também condenou o ataque na terça-feira. “Expresso profundo pesar pelos voluntários mortos enquanto estavam envolvidos na distribuição de ajuda humanitária em Gaza. Rezo por eles e por suas famílias”, disse. Francisco renovou o seu apelo por um cessar-fogo “imediato” em Gaza, à libertação de todos os prisioneiros detidos pelo Hamas e ao pleno acesso à ajuda humanitária, ao mesmo tempo que alertou contra o alargamento “irresponsável” do conflito.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak, conversou com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na noite de terça e disse estar "horrorizado". Três cidadãos britânicos estão entre as vítimas do ataque israelense.

“Muitos trabalhadores humanitários e civis inocentes perderam a vida em Gaza, a situação está se tornando insuportável”, disse Sunak em um comunicado oficial do governo. “O Reino Unido espera ver uma ação imediata por parte de Israel para acabar com as restrições à ajuda humanitária, resolver conflitos com a ONU e agências de ajuda, proteger os civis e reparar infraestruturas vitais, como hospitais e redes de água.”

A ministra dos Negócios Estrangeiros do Canadá, Melanie Joly, fez um apelo por uma investigação completa sobre o assassinato dos trabalhadores, que vitimou um cidadão canadense. "Condenamos estes ataques e apelamos a uma investigação completa. O Canadá espera que todos os responsáveis por estas mortes sejam julgados e vamos comunicá-lo diretamente a Israel", declarou. Em declarações à margem de uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Joly afirmou que "os ataques contra o pessoal humanitário são totalmente inaceitáveis". Em janeiro deste ano, a ministra canadense suspendeu as licenças de exportação de equipamento e tecnologia militar para Israel.

A Austrália também disse que Israel deve ser responsabilizado pelo ataque a trabalhadores humanitários da WCK na Faixa de Gaza.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, exigiu que Israel esclareça "o ataque brutal" contra a ONG. Em seu primeiro discurso durante a sua visita à Jordânia, Arábia Saudita e Qatar, ele fez um apelo à cessação definitiva das hostilidades e à libertação de todos os reféns.

"É urgente que o cessar-fogo exigido pelo Conselho de Segurança da ONU na semana passada com mandato obrigatório seja cumprido. Além disso, é fundamental que seja permanente”, frisou.

Sánchez afirmou que a Espanha sempre defendeu a solução de dois Estados com o pleno reconhecimento do Estado Palestino por parte dos países árabes que ainda não o fizeram.

Com informações de Brasil de Fato/Al Jazeera/Washington Post/El País.