
Edson Gomes é considerado um dos principais nomes da história do reggae brasileiro. Nascido em 3 de julho de 1955, em Cachoeira, no Recôncavo Baiano, o cantor transformou experiências pessoais e questões sociais em músicas que atravessaram gerações e fizeram dele uma das vozes mais conhecidas do gênero no país.
Antes da música, Edson também sonhava com o futebol. Na juventude, atuava como meia em times locais e dividia o tempo entre os campos e a música. Admirador de artistas como Tim Maia, chegou a receber o apelido de “Tim Maia de Cachoeira” por sua admiração pelo cantor.

A carreira musical começou a ganhar forma ainda na década de 1970. Em 1972, aos 16 anos, Edson participou do Festival de Música Estudantil de Cachoeira e conquistou o primeiro lugar. Anos depois, após experiências profissionais em São Paulo e na Bahia, decidiu se dedicar integralmente à música.
Foi também nesse período que surgiu uma das parcerias mais importantes de sua trajetória. Ao conhecer o músico Nengo Vieira, Edson teve contato mais profundo com o reggae e encontrou no gênero a linguagem que precisava para transformar suas inquietações em música. Em 1985, lançou o compacto com a música Samarina, que ganhou espaço nas rádios baianas.
A consagração nacional veio principalmente a partir de 1988, com o lançamento de Reggae Resistência. O álbum apresentou ao público músicas como Malandrinha, Samarina, Cão de Raça e Rasta, consolidando Edson Gomes como uma das principais vozes do reggae produzido no Brasil.

Durante a década de 1990, o cantor viveu uma de suas fases mais importantes. Álbuns como Recôncavo (1990), Campo de Batalha (1992), Resgate Fatal (1995) e Apocalipse (1997) ampliaram sua popularidade e trouxeram canções que abordavam desigualdade, violência, trabalho, direitos e problemas sociais.
Em 1996, Edson Gomes dividiu o palco com o cantor marfinense Alpha Blondy, em Salvador, em um show que reuniu cerca de 22 mil pessoas e se tornou um dos momentos marcantes de sua carreira.
Nos anos 2000, o artista passou a administrar a carreira de forma mais independente. Em 2001, lançou Acorde, Levante, Lute e, em 2005, registrou a força de seus shows no álbum Ao Vivo em Salvador. Mesmo sem manter uma frequência constante de lançamentos de estúdio, continuou reunindo multidões e conquistando novas gerações.
A força de Edson Gomes está também na permanência de suas músicas. Canções lançadas há décadas continuam sendo ouvidas por jovens que encontram nelas temas que permanecem presentes na sociedade brasileira.

Ao longo da carreira, o cantor transformou o reggae em uma ferramenta de expressão sobre a realidade das periferias, a desigualdade social, a violência, os direitos do trabalhador e a busca por liberdade e justiça.
Mais de cinco décadas depois do início de sua trajetória, Edson Gomes permanece como uma das figuras mais importantes e reconhecidas do reggae brasileiro, mantendo uma relação direta com seu público e levando aos palcos uma obra que ultrapassou as fronteiras do gênero.
Edson Gomes não apenas cantou o reggae no Brasil. Ele ajudou a construir uma identidade brasileira para o gênero.
Por Robson Júnior





