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"Pecadores": O Épico que redefiniu o cinema e esmagou recordes no Oscar 2026

Entre o Delta Blues e o Terror Sobrenatural: Como a trilha sonora de Ludwig Göransson elevou o épico de Ryan Coogler ao status de obra-prima.

Há 12 horas — Por Robson Júnior

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Foto: Pinterest/Safari/Google

O cinema vive de ciclos, mas, de tempos em tempos, surge uma obra que não apenas encerra um capítulo, mas escreve um novo livro inteiro. "Pecadores" (Sinners), o novo triunfo de Ryan Coogler, é exatamente esse fenômeno.

Ao receber impressionantes 16 indicações ao Oscar 2026, o longa não apenas lidera a corrida deste ano, como também se tornou o filme mais indicado em quase um século de história da Academia, superando os marcos de 14 indicações de titãs como Titanic, A Malvada e La La Land.

Mas por que este filme de terror sobrenatural ambientado no Mississippi de 1930 ressoou de forma tão profunda? A resposta vai muito além do gênero; ela reside na alma de sua narrativa.


Foto: Pinterest

O Jogo da Música: O Blues como Força Mística

O que mais hipnotiza em Pecadores é a forma como a música deixa de ser apenas um acompanhamento para se tornar um personagem vivo. O "jogo" que Coogler estabelece entre as cenas e a trilha sonora é de uma genialidade rara. Não estamos falando apenas de canções de época. A mistura do Blues visceral com o misticismo profundo do enredo cria uma atmosfera onde cada acorde parece invocar algo do além.

A trilha, assinada pelo mestre Ludwig Göransson, utiliza o blues como uma ferramenta de resistência e magia. Em certas cenas, a música parece "rasgar o véu" entre o real e o sobrenatural, fundindo sons ancestrais africanos com a tensão do terror moderno. É um espetáculo auditivo que justifica plenamente suas indicações em Melhor Trilha Sonora, Melhor Som e Melhor Canção Original.

Michael B. Jordan e o Recorde de 16 Indicações

A conquista das 16 indicações é o reflexo de um filme que atingiu a perfeição em todos os departamentos. Pela primeira vez, a Academia reconheceu um filme de gênero (horror/thriller) com tamanha abrangência.

O destaque absoluto vai para Michael B. Jordan, que entrega a performance de sua carreira ao interpretar os irmãos gêmeos Elijah e Elias Smoke. A indicação a Melhor Ator veio com o peso de um trabalho técnico impecável: o público esquece que é o mesmo ator em tela, tamanha a distinção de alma que ele confere a cada irmão.

Foto: Pinterest

Além disso, o filme fez história em categorias técnicas:


• Fotografia: Autumn Durald Arkapaw tornou-se a primeira mulher negra indicada na categoria, com um visual que transforma o Delta do Mississippi em um cenário gótico e onírico.


• ⁠Direção de Elenco: O filme é um dos favoritos para inaugurar esta nova categoria no Oscar, celebrando nomes como Delroy Lindo e Wunmi Mosaku.

Por que Pecadores é Necessário?

Ryan Coogler usou a figura do vampiro não apenas para assustar, mas como uma poderosa metáfora sobre apropriação cultural e a sobrevivência da identidade negra. Quando o blues toca e o misticismo toma conta da tela, Pecadores nos lembra que a arte é a única coisa capaz de enfrentar os monstros sejam eles reais ou imaginários.

Foto: Pinterest


No dia 15 de março, a cerimônia do Oscar pode ser apenas uma formalidade para coroar o que o público já sabe: Pecadores já é um clássico instantâneo. Se você ainda não sentiu o arrepio de ver o "véu sendo rasgado" ao som de um violão de blues no Mississippi, você ainda não viu o melhor que o cinema de 2026 tem a oferecer.

Por Robson Júnior

Produtor audiovisual | Crítico de cinema

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