
A Polícia Federal afirma ter identificado indícios de que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) teria recebido pagamentos mensais que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, além de benefícios como viagens internacionais, hospedagens, restaurantes, voos privados e uso de imóveis de alto padrão. As informações constam na representação apresentada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que embasou a 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (7).
Segundo as investigações, em troca das supostas vantagens, o parlamentar teria atuado em propostas legislativas de interesse do banqueiro, incluindo a chamada Emenda Master, apresentada à PEC 65 em 2024, que previa ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A PF sustenta que o texto teria sido elaborado por assessores ligados ao Banco Master e posteriormente apresentado ao Congresso pelo senador.
As apurações também apontam suspeitas sobre vantagens econômicas indiretas, como a aquisição de participação societária milionária na Green Investimentos S.A. por meio de empresa ligada ao irmão de Ciro Nogueira. Com base nos elementos apresentados, André Mendonça determinou que o senador não mantenha contato com outros investigados ou testemunhas, além de impor restrições ao irmão do parlamentar. Também foi decretada a prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro, apontado como operador financeiro do esquema investigado.
Em nota, a defesa de Ciro Nogueira repudiou qualquer suspeita de ilicitude, afirmou que o senador não participou de atividades ilegais e declarou que irá colaborar com a Justiça. Os advogados também questionaram a legalidade de medidas baseadas em trocas de mensagens de terceiros, classificando parte das ações como potencialmente precipitadas.



