
A Polícia Federal (PF) concluiu, em relatório da Operação Compliance Zero, que o banqueiro Daniel Vorcaro custeou despesas de hospedagem do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do senador Ciro Nogueira durante uma viagem a Lisboa, em Portugal, realizada em 2024. O documento foi tornado público nesta terça-feira (16) pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a investigação, mensagens encontradas no celular de Vorcaro mostram que o banqueiro solicitou a um aliado identificado como Leo Serrano a reserva de hospedagem para “Ciro e Hugo” em um hotel de luxo na capital portuguesa. A PF afirma que os nomes se referem ao senador Ciro Nogueira e ao presidente da Câmara. Os investigadores também destacaram uma mensagem de áudio na qual Vorcaro teria demonstrado preocupação com a privacidade do local e solicitado medidas para restringir a visualização das atividades realizadas durante a estadia.
De acordo com a corporação, cinco diárias no hotel tiveram custo aproximado de 3 mil euros, valor equivalente a cerca de R$ 18 mil. Uma fatura encontrada no e-mail do banqueiro indicaria a contratação de duas suítes, uma destinada a cada parlamentar. O relatório aponta ainda uma relação de proximidade entre Vorcaro e Ciro Nogueira, citando viagens internacionais para destinos como Paris, Nova Iorque e Courchevel, nos Alpes franceses, que teriam sido financiadas pelo empresário.
A PF calcula que os benefícios econômicos relacionados às viagens atribuídas ao senador ultrapassam R$ 468 mil, sem incluir gastos com voos privados. Hugo Motta não é investigado no caso. Já Ciro Nogueira integra o grupo de investigados e foi alvo de medidas de busca e apreensão autorizadas pelo STF. Questionado por jornalistas, Motta afirmou estar tranquilo e declarou que esteve em Lisboa para participar de um evento jurídico promovido pelo ministro Gilmar Mendes. Até o momento, Ciro Nogueira não havia se pronunciado sobre as conclusões do relatório.
Com informações da Agência Brasil





