
Autoridades e analistas na Noruega reagiram com incredulidade à notícia de que a laureada com o Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, entregou sua medalha ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante encontro na Casa Branca. A atitude foi classificada como inédita e desrespeitosa por integrantes do meio acadêmico e político norueguês.
Em entrevista à emissora pública NRK, a professora Janne Haaland Matlary, da Universidade de Oslo, afirmou que o gesto representa uma “total falta de respeito” com o prêmio. Para ela, a entrega da medalha é sem sentido e não encontra precedentes na história da premiação. Trump, que há anos manifesta publicamente o desejo de receber o Nobel da Paz, aceitou o presente e já havia demonstrado insatisfação com a escolha do Comitê Norueguês do Nobel, que concedeu o prêmio a Machado.
O Comitê do Nobel reiterou na semana anterior que o prêmio não pode ser compartilhado nem transferido, posição já defendida anteriormente pelo Instituto Nobel. A instituição não se manifestou oficialmente após o episódio. O caso reacendeu críticas sobre a crescente politização do Nobel da Paz, com avaliações de que a escolha de Machado teria buscado evitar atritos com Trump, após sua campanha pública em favor da honraria.
O episódio foi comparado, na Noruega, a outras situações controversas envolvendo o Nobel da Paz, como o leilão da medalha do jornalista Dmitry Muratov em 2022 para fins humanitários, além de premiações passadas que geraram questionamentos posteriores, como as de Barack Obama, Aung San Suu Kyi e Abiy Ahmed. Políticos noruegueses também criticaram duramente o gesto, afirmando que a aceitação da medalha por Trump e sua entrega simbólica fragilizam a credibilidade do prêmio.



