
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a ter menor participação feminina após as mudanças ministeriais realizadas nesta semana, motivadas pela desincompatibilização de integrantes que disputarão as eleições. Antes, a Esplanada contava com 28 homens e 10 mulheres. Com as alterações, o número passou para 30 ministros e 8 ministras, ampliando a predominância masculina no primeiro escalão.
Entre as saídas estão nomes como Gleisi Hoffmann, que deixou a Secretaria de Relações Institucionais para concorrer ao Senado, além de Simone Tebet, Marina Silva, Anielle Franco, Sônia Guajajara e Macaé Evaristo. Parte das substituições já anunciadas inclui nomes como Eloy Terena, além de outros ministros homens, enquanto algumas pastas passaram a ser comandadas por mulheres.
Apesar de avanços em relação a gestões anteriores, a composição atual ainda está distante da paridade de gênero. Ao iniciar o terceiro mandato, Lula havia ampliado a presença feminina em comparação aos governos anteriores, mas a recente redução reacendeu cobranças dentro da própria base aliada por maior equilíbrio na distribuição de cargos.
No Congresso, a coordenadora da bancada feminina, Jack Rocha, avaliou que houve avanços, mas destacou que a diminuição do número de ministras representa um alerta. Segundo ela, a presença feminina nos espaços de poder precisa ser estruturante e não pontual, considerando que as mulheres são maioria na população brasileira.
A movimentação ocorre em um cenário pré-eleitoral, no qual o governo busca ampliar apoio entre o eleitorado feminino, que representa mais de 52% dos votantes, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Ao mesmo tempo, adversários como o senador Flávio Bolsonaro também têm direcionado discursos ao segmento, com apoio de figuras como Michelle Bolsonaro, apontada como peça importante na estratégia política.



