
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista ao portal UOL, que pretende viajar a Washington, possivelmente na primeira semana de março, para uma reunião direta com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo Lula, o encontro deve ocorrer após compromissos internacionais na Índia e na Coreia e terá como foco interesses comuns e a busca por acordos entre os dois países.
De acordo com o presidente, a conversa deve envolver temas como parcerias industriais, exploração de minerais críticos, investimentos e ampliação das exportações. Lula ressaltou, no entanto, que há limites nas negociações e afirmou que a soberania nacional não é passível de discussão. Ele também declarou estar disposto a tratar de qualquer assunto, desde que haja respeito mútuo entre os governos.
Na entrevista, Lula revelou que já enviou informações ao governo norte-americano para incentivar uma cooperação direta no combate ao crime organizado e ao narcotráfico. Segundo ele, materiais preparados pela Receita Federal e pela Polícia Federal foram compartilhados, incluindo dados sobre empresas investigadas, embarcações apreendidas e informações sobre um procurado pela Justiça que residia nos Estados Unidos.
O presidente disse ainda que pretende levar uma comitiva de autoridades na eventual viagem, entre elas o ministro da Justiça, o diretor-geral da Polícia Federal, o secretário da Receita Federal e o procurador-geral da República. A intenção, segundo Lula, é reforçar a atuação conjunta entre Brasil e Estados Unidos no enfrentamento ao crime organizado.
Ao tratar da América do Sul, Lula defendeu maior integração política e econômica entre os países da região. Sobre a Venezuela, afirmou que a solução para a crise deve partir dos próprios venezuelanos, sem imposição externa, e que a prioridade deve ser o fortalecimento da democracia e a melhoria das condições de vida da população. O presidente também defendeu o fortalecimento de instituições regionais e alertou para os riscos da falta de integração.
Sobre o Banco Master, Lula afirmou que o governo não adotará posição política e que eventuais irregularidades devem ser apuradas tecnicamente pelo Banco Central. Ele disse que recebeu o empresário Daniel Vorcaro após pedido intermediado pelo ex-ministro Guido Mantega e que o caso está sendo acompanhado por autoridades econômicas e jurídicas. O presidente declarou que quem for responsável por irregularidades deverá responder, independentemente de cargo ou posição.
Na área econômica, Lula voltou a defender a redução da jornada de trabalho e disse que pretende dialogar com o Congresso sobre mudanças na escala 6x1. Ele avaliou que indicadores positivos da economia ainda não se refletiram politicamente e afirmou que 2026 será um período de consolidação das ações do governo. As informações foram divulgadas pelo portal Correio Braziliense.



